Doping no eSports. Entenda como as drogas atingem jogadores de games

Algumas drogas aceleram seus reflexos e podem dar sim vantagem durante o jogo

Quando o assunto doping vem a tona é comum pensar em esportes como corrida e futebol, mas a prática tem se espalhado cada vez mais e já chegou até mesmo aos gamers, tanto profissionais como amadores. Não é difícil conhecer alguém que começou com um energético para ficar mais ligado no jogo e logo estava tomando algum remédio.

Em março de 2015, o jogador de Counter Strike Kory Semphis Friesen, admitiu em uma entrevista que ele e toda sua equipe utilizaram a droga “Adderall” para melhora de perfomance. A substância que foi tema de um documentário da Netflix, é estimulador de funções cognitivas, geralmente usado no tratamento de déficit de atenção/hiperatividade.

Foto: Innovater Captures/Fotolia

Esse tipo de remédio, como a ritalina no Brasil, é usado para aumentar a concentração, diminuir o tempo de reação e melhorar os reflexos do usuário, o que no CS é uma vantagem considerável. Um jogador brasileiro do game, que não quis se identificar, contou que inseriu em sua rotina um remédio para ficar acordado. “Escolhi um para emagrecer, ele me deixava sem sono e sem fome. Tinha um composto de anfetamina que acelerava o pensamento e funcionou bem”.

Depois da confissão do atletas, entidades como ESL (Eletronic Sport League) e a MLG (Major League Gaming) anunciaram que realizariam movimentações para proibir o uso de substâncias ilícitas. Em 2017, após sucessivas solicitações das organizações mais antigas do cenário, a Riot Games passou a estudar a implementação de controle de dopagem dos cyberatletas.

Foto: Denis Production/Fotolia

No início deste ano a Riot anunciou que haveria um controle de dopagem para o CBLOL 2018 em comunicado: “o antidoping está no radar da Riot Games e é um assunto que está sendo estudado pela empresa. Novas informações acerca do tema serão divulgadas quando uma posição for definida pela companhia”. Entretanto, segundo a RP da Riot, Renata Honorato, não há nenhuma novidade sobre o tema. “Há um estudo em andamento, mas nada definido, por ora”. Já no link onde estão disponíveis os códigos de conduta definidos pela ESL, o uso de doping é proibido e pode render diversos tipos de punição.

As substâncias, chamadas pelos jogadores como ‘drogas sociais’, costumam ser usadas apenas para melhora da performance e muitas vezes o usuário nem tem o costume de ingerir bebidas alcoólicas. “Eu estava viciado em CS e conseguindo uma boa melhora, então fiquei viciado em jogar com esse ‘upgrade mental’. Tinha vergonha de falar para meu time, então não sei quem mais usava, mas acredito que ninguém, já que todos ficavam como sono e eu não”, diz o jogador que prefere não se identificar.

“Algumas drogas aceleram seus reflexos e podem dar sim vantagem durante o jogo, mas é muito desgastante também. Acredito que não seja possível ser profissional  e usar drogas sem dar bandeira”, finaliza.

Foto: Room76 Protography/Fotolia

Os campeonatos de games já te dimensões semelhantes ao de esportes reais, já que a profissionalização, cobrança por competitividade e comprometimento dos atletas é grande, sem falar, claro, nos altíssimos valores de premiação e mobilização de público para campeonato.

A mudança na questão de controle do doping deve estar cada vez mais próxima, sendo que a preocupação não seria apenas para encontrar e expor trapaceiros, mas também para proteger a imagens dos profissionais de verdade.

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Oriunda dos esportes como corrida de rua, nossa editora agora vai em busca de novos caminhos nos E-Sports. Nos primórdios do jogo adorava assistir partidas de LOL e brincar um pouco também. Hoje passa a maioria do seu tempo livre descobrindo novos games e aprendendo mais deste universo gigantesco.