Economia interna dos jogos virtuais: tempo é dinheiro

Complicações e facilidades geradas por microtransações

A economia interna dos games é um dos temas mais comuns de discussão nas comunidades dos jogos virtuais. O assunto ganha ainda mais engajamento quando a funcionalidade dos conceitos de “Free-to-play” (jogar sem precisar inserir dinheiro) e “Pay-to-win” (obrigatoriedade de gastar para se manter competitivo) ganham destaque, principalmente quando há bons argumentos para atacar ou defender tais pontos.

Porém, estes conceitos levam à necessidade dos usuários se doarem diariamente para conseguir manter sua coleção de recursos atualizada e também avançar efetivamente na ladder, assim fazendo com que tempo e dinheiro se tornem vitais na evolução do jogador.

Free-to-Play, um esforço constante

Manter-se com a maioria dos recursos colecionáveis e itens úteis dos jogos não gastando dinheiro é uma das tarefas mais exigentes, já que o jogador precisa se esforçar constantemente para adquirir a moeda interna daquele game, assim necessitando várias horas diárias para atingir um nível competitivo.

Entretanto, um jogador free-to-play precisa administrar com muito mais cuidado o dinheiro ingame para não fazer investimentos em itens que se tornarão inúteis ou pouco eficientes rapidamente. Para isso, ele vai ter que pesquisar quais as formas de conseguir adquirir os recursos de forma mais rápida e fazê-los o produtivos a longo prazo. Por exemplo, quando uma coleção nova é lançada no Hearthstone, os jogadores consultam a opinião dos atletas profissionais ou streamers para saber quais as cartas que devem virar prioridade de aquisição.

Shop do Pokémon GO

Pay-to-win, um atalho conveniente

Investir financeiramente em um jogo que o jogador gosta muito facilita várias possibilidades a ele, seja para adquirir itens cosméticos que estão na moda ou até mesmo os recursos daquele game de forma mais simples, algo que pode se tornar essencial para conseguir competir em pequenos campeonatos, ficar entre os melhores da ladder ou simplesmente não desanimar com as dificuldades pelo caminho.

As desenvolvedoras aproveitam estas facilidades financeiras para instigar os jogadores a investirem nas microtransações que garantem itens do jogo, sejam eles apenas estéticos ou fundamentais para uma fluidez de jogabilidade, o que as mantém lucrando consistentemente. Por exemplo, Pokémon GO possui missões que o objetivo é completar 10 reides, entretanto, cada treinador só pode ganhar um passe de reide gratuito por dia, assim forçando quem é adepto ao “free-to-play” a cogitar gastar para conseguir terminar uma quest demorada. Felizmente, a quantia gasta para isso é pequena, mas já torna quase obrigatória a inserção de dinheiro no aplicativo.

Este exemplo do Pokémon GO é apenas uma das formas que a Niantic usa para lucrar financeiramente, já que ela abusa disso até mesmo na quantia de itens ou monstrinhos que cada treinador pode carregar sem gastar dinheiro ingame ou real. Todo game gratuito precisa destas artimanhas para continuar produzindo novas atualizações e criando atrativos interessantes para deixar os fãs felizes ou até mesmo criar eventos que traga novos usuários ou retornantes.

Market do Clash Royale

Obstáculos econômicos

Alguns games acabam criando sistemas econômicos que possuem dois tipos diferentes de moedas, sendo que o mais difícil de adquirir, às vezes necessitando da inclusão de dinheiro naquele jogo, abre possibilidades únicas. Por exemplo, tanto MTG Arena quanto Clash Royale usam ouro e gemas, assim tornando um deles mais eficiente para vários usos e totalmente inoperante para outros.

A visão negativa destes games pode se tornar ainda maior quando as desenvolvedoras começam a abusar dessas microtransações, principalmente com as famigeradas Loot Boxes, que foram consideradas ilegais em alguns países, como a Bélgica, por terem um aspecto de aposta, assim gerando dificuldades para empresas que apostavam nesse recurso de monetização.

Para manter-se Free-to-Play é necessário esforço, pesquisa e talento, uma combinação que pode soar muito árdua para jogadores casuais, assim limitando bastante uma parcela do consumidor. Pay-to-win é um caminho natural para qualquer hobby que possui compras internas, entretanto ele pode ser um tanto quanto elitista e mesmo assim ineficiente. Independentemente da forma que você prefira seguir economicamente nos games, tenha certeza que as opções de microtransações estarão sempre presentes e ainda mais atrativas aos fãs.

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.