Designer brasileiro conquista gamers com animações divertidas

Quem está acostumado a usar o YouTube para assistir a conteúdo de games como Dota 2 e Overwatch já deve ter encontrado repentinamente animações engraçadas que satirizam a forma com que os jogadores utilizam os personagens desses títulos. Mesmo que o canal tenha o nome Dopatwo, que é uma referência ao MOBA da Valve em combinação com a palavra inglesa “dope”, ele é de origem brasileira.

O designer gráfico tupiniquim Rafael Hatadani é o responsável por trás do canal que mistura narrativa bem humorada, contextualização fidedigna aos universos de games consagrados e referências de várias obras da cultura pop. Entretanto, antes de conseguir focar exclusivamente nos vídeos do Dopatwo, onde alcançou o sonho de trabalhar com animação e manter sua proximidade aos jogos, sua carreira teve passagem por editoras e escritórios de design.

Rafael Hatadani, o criador do Dopatwo

O canal ganhou vida há sete anos, quando Hatadani aproveitou para juntar duas paixões em um único projeto. “Em 2012, eu trabalhava como autônomo e tinha muito tempo livre, então jogava muito Dota 2 quando tinha pouco trabalho. A partir daí, comecei a ilustrar meus personagens favoritos do jogo para colocá-los no YouTube”, conta o artista.

Antes mesmo de acumular milhares de visualizações em cada um de seus vídeos, o designer usava a plataforma de ilustradores DeviantArt para divulgar seu trabalho e já ficava feliz com os números que atingia por lá. “Na época, ficava feliz quando vinte pessoas acessavam minha página em uma semana. Quando mais de 3 mil entraram no canal do YouTube, eu achei absurdamente legal.”

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Apesar do Dopatwo já ter ultrapassado os 575 mil inscritos, Hadatani precisa do Patreon para ajudá-lo a manter o projeto ativo. O YouTube não é excelente em relação a pagamentos para os criadores de conteúdo, principalmente pelas regras que possui para distribuição dos vídeos, obrigatoriedade de publicações diárias ou a desmonetização de produções. Financiamento coletivo é uma medida muito utilizada e torna-se muitas vezes essencial para alguns projetos na plataforma.

“O Patreon foi fundamental. Ele trouxe para perto pessoas muito legais que constantemente dão sugestões que deixam os vídeos mais ricos e cheios de referências, além de ter sido o pontapé inicial para me desvencilhar do mercado formal e conseguir uma renda fazendo o que mais gosto”, ressalta o designer gráfico.

A relação que Hatadani tem com os patrons também colabora com o processo criativo que ele possui para a produção de cada vídeo, assim aumentando o leque de ideias para o roteiro e analisando se as piadas estão de bom gosto. “Converso com eles e junto todos os conceitos que acho interessante, depois faço um script muito simples no lápis e papel para depois ilustrar no computador. Isso costuma levar uma semana, depois preciso de mais quatro para animação e edição de som. O último dia é exclusivo para ajustes e algo novo que lembro durante todo o processo.”

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O estilo narrativo que Hatadani dá para suas criações no Dopatwo mostra um conhecimento muito grande de situações normalmente comuns nos jogos com um grande número de referências divertidas à cultura pop. Estes exemplos ficam ainda mais claros nos vídeos que comparam como determinado personagem costuma agir no seu time e no do adversário. Com isso ele conquista o público, seja inserindo algo que influencia seu estilo de animação ou até mesmo um meme recente.

“Eu e os patrons relacionamos muitas coisas conforme o tema escolhido para destaque, algo que é bastante espontâneo. Incluir meme aumenta ainda mais o engajamento. Quem não foi surpreendido pelo Ricardo Milos dançando inesperadamente? É a versão internacional do gemidão do Whats’s App e se encaixa genialmente. Enquanto isso, as minhas influências são de CalArts, animes e jogos da Nintendo. Quando posso colocar algo desses universos no roteiro, as pessoas notam e assim crio uma conexão maior com o público”, ressalta Hatadani.

Essa linguagem popular, inteligente e cheia de referências ganha ainda mais força com a forma que o artista apresenta o personagem Lúcio, o suporte brasileiro de Overwatch. Com o conhecimento de aspectos comuns da cultura tupiniquim, Hatadani dá ainda mais vida ao esportista ao colocá-lo em cena sempre acompanhado de funk ou gerando situações irreverentes.

Hatadani tem criado vídeos apenas de games que ele é bastante fã, independentemente do motivo para cada um deles. Com isso, ele incorpora seu estilo narrativo ao universo destes títulos, mesmo que enfrente algumas dificuldades para manter o padrão para todos. “Dota 2 é o que eu mais joguei em toda minha vida, criando uma relação de amor e ódio eterno. Adoro Overwatch porque os personagens são muito bem feitos, mas não jogo tanto. No Apex Legends eu sou horrível, mas gosto porque é realmente bom e todo mundo tem jogado. Na hora de transformá-los em animação sempre faz falta não ter voice-acting, o que sempre me passa a sensação de que o trabalho não está bom”, salienta o artista.

Mesmo com esta dificuldade para dar vida à produção recente de Apex Legends, o vídeo já caminha para os 3 milhões de visualizações, alcançando um grande número de views em outros países, como Japão e Rússia. Por isso, o jogo da Respawn deve ganhar mais vídeos no canal, mas a ausência das falas faz falta ao animador, algo que também evita Hatadani de criar conteúdo baseado em For Honor, game da Ubisoft que ele tem jogado bastante.

Hatadani continua a fazer de Dopatwo um dos canais mais divertidos sobre situações comuns de jogos grandes da indústria, o que traz reconhecimento suficiente para receber ótimas propostas de trabalho, mas que dificultariam a manutenção do canal. Enquanto isso, suas criações crescem e acumulam números ainda mais surpreendentes de visualizações, fazendo sua narrativa descontraída cada vez mais popular.

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.