Entrevista: Lucas Caparroz

Atual campeão brasileiro de MTG investe em stream do Arena

Lucas Caparroz é um dos jogadores de Magic: the Gathering mais populares no cenário brasileiro do card game, principalmente no estado de São Paulo. Quem costuma participar dos eventos principais do card game na região o vê nas mesas de jogo, independentemente do formato disputado. Em 2018, tornou-se o campeão nacional, algo que lhe rendeu a participação no time brasileiro da Copa do Mundo de MTG. No currículo também consta a participação no Pro Players Club, seleto grupo de jogadores que acumularam pontos em eventos profissionais durante determinado período da temporada.

Hoje, ele divide as jogadas da vida real com a do digital, já que o crescimento do MTG: Arena o motivou a criar seu próprio canal de stream na Twitch, intitulado LuCaparroz, apesar de isso nunca ter sido o foco dele. “Olha, vou ser sincero que tem sido uma experiência completamente nova na minha vida. Eu brincava que nunca entraria nesse mundo da era digital e olha só onde estamos. Tenho muitas pessoas me ajudando, o que contribui em muito para um crescimento. De resto, é jogar o MTG que estou acostumado há 13 anos.”

Logo do Canal LuCaparroz

Confirmado para participar do Pro Tour Cleveland em fevereiro e com a carreira de advogado colocada de lado por um tempo, ele aproveita para jogar assiduamente e tornar seu canal maior. Caparroz não é o único jogador de MTG que aderiu às transmissões pela Twitch. Bertu, PV, Reid Duke e Jeff Hoogland são alguns nomes populares do cenário do card game que seguiram pelo mesmo caminho, cada qual com devida proporção de investimento na plataforma.

“A dedicação tem sido 100%, basicamente todo tempo estou lendo à respeito de stream, vendo outros streamers ou canais do Youtube para aprender coisas novas e aperfeiçoar o canal”, ressalta Caparroz. Mesmo que esteja apenas começando, é notório o cuidado em tornar as transmissões atrativas. Plugins que facilitam o público entender as cartas usadas e ver toda a decklist já estão em atividade, além de ter o diferencial de uma loja o auxiliando com sorteios de produtos ou entradas em eventos do card game físico, assim atraindo e mantendo os telespectadores na frente da telinha.

Enquanto alguns streamers de CCGs preferem fazer transmissões que sejam um espetáculo mais divertido para o telespectador, como usar listas claramente casuais que não entrariam no metagame, outros tendem a manter o foco no lado competitivo enquanto anseia pelas melhores posições da ladder. Este é o caso de Caparroz. Apesar disso, sua interação com o público é constante, até permitindo que eles decidam qual é o baralho que usará na próxima partida.

“Eu penso muito à respeito disso e acho que, como produtor de conteúdo, não posso me impor limites. A ideia é que a base do canal seja voltada ao competitivo, mas já tenho projetos em mente para atrair o público mais casual também” acrescenta o streamer. Além dessa preocupação com a gama de telespectadores, Caparroz já demonstra interesse em criar conteúdo em inglês se o canal continuar a crescer, mas ainda não cogita aderir ao YouTube como plataforma para publicação de gameplay.

Apesar de estar apenas no Beta Aberto, o Arena já tem se consolidado como a principal plataforma do card game para a Wizards of the Coast, principalmente pelo grande investimento que ela tem feito no produtos nos últimos anos, assim deixando o futuro do programa Magic Online incerto. “Eu acredito que essa é a plataforma definitiva do MTG virtual. O T2 no MOL está fadado a acabar na minha visão, mas lá as pessoas ainda poderão jogar formatos eternos ou um limitado mais competitivo. Até que o Arena comece a ter interesse para este público, o Magic Online viverá de forma secundária”, ressalta Caparroz.

Com o crescimento de streamers focados em Arena e a plataforma ter sido bem recebida pela comunidade, apesar de não ser tão diversa aos formatos que o card game possui, alguns sites especializados em metagames de jogos digitais já começam a investir em conteúdo de MTG, assim indicando um possível sucesso da Wizards of the Coast ao investir no Arena. Estas escolhas e os torneios competitivos que devem ser iniciados pela plataforma ainda esse ano geram esperanças de melhorias na profissionalização dos competidores, já que a empresa não é reconhecida por grandes premiações.

“Eu acho que publicidade é uma peça fundamental para alcançar outro reconhecimento. Quanto mais pessoas gerando conteúdo, maior será o público atingido e, por consequência, novos jogadores podem começar a se interessar pelo jogo. Acredito que estamos no caminho certo, mas é claro que a Wizards precisa tomar boas atitudes para otimizar isso, afinal ela é responsável por isso tudo”, salienta Caparroz.

Por estar apenas no Beta Aberto, o MTG Arena ainda faz vários testes na plataforma. Economia, premiação mensal, ladder e periodicidade de formatos são alguns pontos que ainda estão passando por melhorias nas mãos dos desenvolvedores e sendo normalmente discutidos no fórum do jogo. Com isso, ainda é incerto os caminhos que a plataforma vai adotar nos próximos meses, deixando os jogadores com alguns questionamento do que deveria ser aprimorado.

“Acho que o principal problema atual são as recompensas por ranking. A diferença entre ser Silver e Mítico é bem baixa, não dando tanto incentivo de jogar a ranqueada. Eu ainda sonho com o dia que poderemos jogar MTG pelo celular, mas acho que isso está um pouco distante”, afirma o streamer sobre as melhorias que ele desejaria.

Lucas Caparroz em uma das partidas do Nacional de MTG em 2018

Caparroz argumenta que o Arena ainda é uma plataforma de adaptação, seja para os jogadores que estão acostumados apenas ao card game físico ou o MOL, aos responsáveis pelo design das coleções e da própria comunidade às novidades que são colocados no CCG. “Eu desejaria que o Melhor de 3 fosse o sistema usado para torneios, mas entendo os motivos do sucesso das partidas Melhor de 1. Se esses jogos mais rápidos estão fazendo sucesso com os jogadores e atrai público, é tudo uma questão de adaptação, até mesmo na interação que isso traz ao design das cartas.”

Para o jogador iniciante de MTG e aqueles que anseiam por subir no ranking do Arena, Caparroz deixa algumas dicas de como priorizar o seu dinheiro dentro do jogo. “Não joguem limitado! As pessoas criam a ilusão de que ganham as cartas e que isso é bom, mas não é verdade. Você precisa de pelo menos 5 vitórias para

lucrar, então para quem está começando isso é muito difícil. Para o Standard, tente montar deck de apenas uma cor no começo, assim pode ser mais fácil de jogar e bem mais rápido de uma montar uma ótima lista.”

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.