Hearthstone busca renovação em seu circuito profissional

Mudanças afetam qualificatórias e formato de torneios

A Blizzard revelou as mudanças para o circuito profissional de Hearthstone durante a semana e fez com que a comunidade reagisse de formas polarizadas ao anúncio. As principais modificações para o competitivo do CCG são torneios realizados online com premiação em packs e vaga para campeonatos maiores, além de abandonar os formatos Last Hero Standing e Conquest pelo inovador Specialist, o principal problema das novidades divulgadas pela desenvolvedora.

Hearthstone Masters é o nome dado à nova estrutura de torneios profissionais realizados dentro do circuito profissional da Blizzard. O alicerce mais próximo ao público são os Masters Qualifiers, trinta competições realizadas online através do Battlefy por aproximadamente um mês. Os vencedores ganham o convite para participar do Masters Tour, um campeonato muito maior, com jogadores mais experientes e que são realizados fisicamente ao redor do globo.

O primeiro deles acontece em Las Vegas durante três dias de junho. Entretanto, não há nada que configure a passagem inclusa para estes participantes, o que pode se tornar um investimento caro e arriscado financeiramente para quem não mora no país sede do evento. Apesar disso, a organização poderá incluir mais dinheiro aos já 250 mil dólares anunciados para premiação através da compra de packs exclusivos in-game, uma forma da própria comunidade tornar o torneio ainda melhor.

Apesar desse novo modelo de circuito profissional ser bastante atrativo e convidativo ao público que está acostumado a jogar pelo Battlefy, ele também demonstra uma falha muito grande da desenvolvedora em não conseguir implantar um modo de torneio dentro do próprio jogo. Depender de uma fonte externa para isso, que ainda possui algumas falhas, só complica a estruturação desses torneios e gera dificuldade aqueles que não estão acostumados a ela.

Além dos Masters Qualifiers, os jogadores podem se classificar para o Masters Tour ficando entre os quatro primeiros da ladder, adquirindo a vaga por meio de torneios realizados por terceiros, vencendo alguma competição deste mesmo tipo de evento, classificando através do China Gold Series ou finalizando o Ano do Corvo com pelo menos 120 pontos competitivos.

Specialist, um formato fadado ao marasmo

De todas as novidades reveladas pela Blizzard, nenhuma delas é mais questionada do que a inserção do formato Specialist nos torneios. Neste novo modelo, cada participante leva três decks da mesma classe para o evento. Entretanto, os baralhos secundários e terciários são obrigados a ter 25 cartas do primário, assim configurando estas cinco opções diferentes como ajustes para confrontos específicos. Uma tentativa clara de inserir algo semelhante ao sideboard do Magic: the Gathering.

Há muitos problemas atrelados ao Specialist e eles devem ficar ainda mais claros no torneio inaugural transmitido nesse formato. O primeiro deles é ter apenas cinco cartas obrigatórias nesta troca, uma quantia muito baixa que parece incapaz de trazer mudanças efetivas aos jogos que deveriam mudar a forma que os jogadores conduzem suas escolhas. Para que existisse uma alteração significativa, o número ideal seria de 10 a 12, assim podendo reconfigurar o baralho primário.

Peguemos, por exemplo, o Big Spell Mage do Maxxe. Se ele levasse esta mesma lista como deck primário para um evento, suas cartas mais reativas seriam péssimas versus alguns Midrange e muitos decks de controle ou combo. Isso dificultaria muito a mudança de apenas cinco cartas, já que a configuração original possui oito sweepers. O que ocorreria seria uma montagem diferente para o baralho, principalmente deixando opções como Gluttonous Ooze e Skulking Geist nos decks reservas.

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Enquanto os modelos anteriores de formato permitiam a eliminação de baralhos que desagradam os competidores, agora não existe mais o sistema de banimento, o que pode ser muito prejudicial se grande parte dos participantes perceberem um deck capaz de bater de frente com qualquer possibilidade no metagame. Esse agravante deve se tornar ainda mais desagradável para os telespectadores do torneio, já que eles estarão assistindo partidas muito parecidas durante bastante tempo.

Os desenvolvedores ainda precisam adequar o design das coleções para que ladder e torneios competitivos não se degradem no formato Specialist. Há pouco tempo atrás, decks de druida possuíam um número altíssimo de cartas semelhantes, o que facilitaria a adaptação entre os baralhos secundários e terciários. Isso torna-se ainda mais efetivo para esta classe por causa da característica “Choose One”, algo que sempre permitiu um leque de opções incrível ao Malfurion.

Para que o Specialist não se torne extremamente vítima do design das coleções, os desenvolvedores precisam tomar mais cuidado com as opções que eles dão ao metagame, principalmente quando o CCG enfrenta um ponto de estagnação que faz parte do público buscar outro jogo, seja o Auto-Chess do Dota 2 ou o MTG: Arena, que está em franca ascensão. Entretanto, com o Ano do Corvo prestes a acabar, três coleções sairão do Standard e isso deve tornar ainda mais limitado o início do formato.

Hearthstone precisa de uma renovação, mas não necessariamente no competitivo. Melhorar o esports do CCG com sistema Masters é um ótimo avanço, mas não o suficiente para solucionar problemas maiores que o envolvem atualmente. A ausência do modo torneio, onde poderia ser testado o formato Specialist, seria um bom início, mas a desenvolvedora subestima demais uma função que já se mostra excelente no MTG: Arena. Agora, a Blizzard se coloca numa posição de acertar muito nas novidades que o jogo vai receber com o término do Ano do Corvo, principalmente em relação ao metagame, já que Baku e Genn são problemas gigantescos que continuam a prejudicar o card game em criatividade e entretenimento.

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.