Itens ‘cosméticos’ movimentam cultura e economia dos jogos

Skins são uma das principais razões de microtransações

Skins, emotes e outros tipos de itens ‘cosméticos’ são recursos eficientes para fazer com que as desenvolvedoras consigam lucro criando simples recursos visuais. Este tipo de produto tornou-se extremamente efetivo entre os gamers, seja pela forma que eles se sentem instigados a novas roupagens de seus personagens favoritos ou simplesmente pela cobiça de possuir conteúdo novo o quanto antes.

Dificilmente algum jogo de grande apelo que passe por atualizações não traga acessórios que instigue os fãs a gastarem dinheiro real ou ingame para poder customizar ainda mais a forma que ele se apresenta durante as partidas. Mesmo que isso pareça absurdo para muitas pessoas, principalmente por tais upgrades visuais não melhorarem em nada a jogabilidade, não difere muito do que acontece na sociedade com os consumidores comprando vestimentas que os deixem mais confortáveis com o que desejam representar.

Apesar do sucesso lucrativo que itens cosméticos trazem para as desenvolvedoras, a forma que tais produtos são adquiridos faz toda a diferença, principalmente pela visão negativa que as loot boxes ganharam nos últimos anos. Depender de um sistema aleatório cria a sensação de não conseguir os recursos visuais desejados. Ao mesmo tempo, não poder comprar aquela atualização visual com a moeda interna do jogo obriga o fã a gastar mais dinheiro para completar todas as possibilidades de vestimenta.

 

A relevância bidimensional de uma skin

Mesmo que não sejam essenciais, os itens cosméticos podem trazer uma bagagem do lore daquele jogo ou simplesmente ser um referencial de grande apelo popular. Fortnite, por exemplo, não conquistou seu público gigantesco por causa de sua história, assim tornando seus apetrechos mais agradáveis pelo aspecto divertido que incorporam ao personagem. Entretanto, a Epic Games entende a relevância da identificação, algo que gerou a parceria com a NFL, assim possibilitando que todo jogador represente seu time de futebol americano preferido dentro do Battle Royale. Segundo o analista da SuperData Carter Rogers, “Os jogadores mais jovens de Fortnite estão tratando as skins como action figures, elas se tornaram parte de uma cultura que sempre é necessário ter a mais nova, aquela que é tendência da moda no jogo.”

Overwatch explora o aspecto visual de seus personagens criando referências externas, como a skin da Moira que faz alusão ao David Bowie ou o Soldado 76 fantasiado de Jason Voorhees, ou internas a partir do lore em expansão do FPS. Essa carga histórica atrelada ao visual de um herói pode ser mais do que o suficiente para o fã não questionar o investimento naquele produto.

Estes itens também se tornam recursos de ostentação, já que não estão disponíveis no jogo em seu lançamento e precisam de algum esforço financeiro para adquiri-lo. Algo muito semelhante ocorre com os pokémon Shiny nos games clássicos da Gamefeak ou no aplicativo da Niantic, já que os monstrinhos são mais difíceis de encontrar e que alguns ainda fazem referência ao anime, como o Gyarados vermelho ou a Butterfree rosa.

Quando o desnecessário torna-se produto

Apesar das skins apresentarem uma representação que cativa o personagem, emotes também estão se tornando produtos rentáveis para as desenvolvedoras. A Blizzard fez isso através do Lúcio tocando suas pick ups de DJ, que só poderia ser adquirido com pelo menos 300 tokens da OWL e posteriormente um terço mais barato. Este recurso visual do jogo é mais comum como BM (Bad Manner), algo exclusivo para fazer graça com o oponente.

A Supercell também tem abusado de emotes carismáticos do Clash Royale, recurso normalmente usado nos segundos finais das partidas. A desenvolvedora sabe o quão carismáticos são seus personagens, ainda mais quando eles estão fazendo algo divertido com a situação. Entretanto, desligar a comunicação de jogo com o adversário é um recurso possível, assim fazendo com que a aquisição desses itens não cause o efeito imaginado.

Itens cosméticos são essenciais para várias funcionalidades, seja para aumentar os recursos lucrativos que as desenvolvedoras conseguem por meio de microtransações ou até mesmo aumentar as referências internas ou externas de seus personagens, mas precisam ser incluídos de uma forma que não se tornem abusivos aos fãs, principalmente quando a criação deles pode gerar uma perspectiva negativa, ainda mais por meio de loot boxes. Ao mesmo tempo, estes recursos visuais podem se tornar elementos de união da comunidade para uma causa social, como a Pink Mercy, que gerou mais de 12 milhões de dólares em doações para pesquisas que combatem o câncer de mama, mostrando um potencial incrível que as empresas possuem para ajudar causas maiores com o auxílio dos fãs.

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.