MTG Arena inicia circuito profissional com sistema falho

Primeiro torneio só possui oito vagas ao público

MTG Arena finalmente teve seu campeonato profissional revelado pela Wizards of the Coast. O Mythic Invitational tende a levar o CCG para outro nível, principalmente pelo milhão de dólares de premiação aos participantes e no alto investimento de transmissão que o evento deve receber. Entretanto, o sistema apresenta problemas estruturais sérios que levantam mais questões sobre a eficiência de funcionalidade do sistema aos interessados em se dedicar a ladder em busca de uma das oito vagas.

Como o Mythic Invitational funciona?

O torneio é formado por 64 participantes. São 31 jogadores que fazem parte da Magic Pro League, grupo composto pelos melhores do card game físico atualmente, 25 streamers convidados e oito classificados por terem ficado no top 8 da ladder no elo mítico no final de fevereiro – que vão receber passagem e hospedagem para Boston, onde o torneio será realizado a partir de 28 de março na PAX East. Cada competidor receberá no mínimo 7,5 mil dólares.

O formato do evento é o novato Duo Standard, que vai misturar elementos de partidas Melhor de 1 com sistema de Dupla Eliminação, já que todos os participantes vão levar dois decks para o evento e usar ambos no confronto que tiver com seu oponente. Apesar disso, é possível levar apenas um baralho para usar em todos os jogos. No primeiro game, uma das opções escolhidas por cada participante é decidida aleatoriamente. No segundo, a segunda alternativa é obrigatoriamente usada. Se existir o terceiro game, eles podem selecionar qual preferem usar na disputa final.

Os problemas do Mythic Invitational

Um dos grandes agravantes do Mythic Invitational é que a Wizards of the Coast o vende como um evento exibição, mas ao mesmo tempo é o torneio mais atrativo da história do Magic, assim o tornando o sonho de consumo de muito jogador do card game físico. Para se promover, a organização decidiu nomes que gostaria de ter como participantes, entretanto não contemplou muitos que mereciam a presença na disputa, como Jeff Hoogland, Brian Braun-Duin e Saffron Olive.

Com isso, permitir apenas que oito competidores consigam adentrar ao torneio por meio da ladder é desesperador para quem poderia estar entre os convidados ou sonha em crescer jogando MTG: Arena. Ficar no topo do elo mítico durante um mês depende de uma disposição de tempo gigantesco para se dedicar ao jogo, principalmente no último dia, quando todos os interessados pelo Top 8 vão digladiar para garantir a tão sonhada vaga.

O mais agravante disso tudo para quem almeja o Top 8 é a própria Wizards of the Coast não deixar claro como funciona o sistema de ranqueamento do elo mítico, restando a sensação de que no final a empresa pode escolher quem ela bem entender como classificado. A temporada anterior teve a posição de seus jogadores oficializada por e-mail individual, mas não parecia coerente com a colocação que cada um estava na ladder antes do seu término. Por exemplo, eu estava próximo ao número 900 algumas horas antes da season concluir, mas a notificação que eu recebi me colocava como o 202, muito acima do máximo que cheguei durante o mês. Esse mesmo problema foi salientado por outras pessoas, assim levantando questionamentos aos organizadores do Mythic Invitational de como aquilo realmente funciona.

Disputar o topo da ladder é algo que o jogador de MTG não está acostumado, já que a versão digital é muito nova e as estruturas de torneio são bastante diferentes. Fazer isso às cegas torna-se mais complexo porque obriga todo mundo a dedicar-se absurdamente, gerando desgaste físico, psicológico e alto nível de estresse com a forma que o indivíduo se relaciona com o jogo.

Mythical Invitational é um ótimo torneio de exibição para um card game que sonha em ser grande como Esport, entretanto, ele apresenta vários problemas estruturais que a Wizards of the Coast não pode manter em competições futuras no mesmo período que a empresa é questionada pela forma que conduz a versão física do jogo, principalmente por não dar respostas claras do futuro de ambos os meios. Apesar disso, um evento dessa proporção parece o início de uma possível profissionalização para aqueles que conseguem ótimos resultados consistentemente.

A Wizards of the Coast precisa entender com seus erros e acertos no que pretende colocar em prática com esta competição, principalmente ao escolher o formato Duo Standard, com fator determinante de aleatoriedade no uso dos decks. Dar randomicidade para um elemento básico de estratégia danifica a imagem do próprio evento, ainda mais quando o card game já possui características de variância que ganham mais força em disputas Melhor de 1. MTG Arena deve crescer com o tempo, mas não pode tropeçar nas próprias pernas com decisões que diminuem o produto e geram tanto questionamento da comunidade.

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.