Profissionais de CCGs destacam quais melhorias o Artifact necessita

Game da Valve é lançado com hype e preocupações da comunidade

Artifact, o mais novo card game desenvolvido pela Valve, será lançado na próxima quarta-feira, 28 de novembro, e já tem gerado muita expectativa e preocupação da comunidade que consome Card Games Colecionáveis, como Hearthstone, MTG Arena, Eternal e Gwent. A chegada do CCG pode significar um equilíbrio maior entre os jogos do gênero com os fãs, já que a Blizzard domina este posto e atualmente a Wizards of the Coast criou a melhor versão digital do Magic.

Poucos jogadores tiverem acesso ao beta fechado de Artifact e os testes públicos receberam apenas alguns sortudos que conseguiram chave, que teve início em 19 de Novembro. Isso fez com que alguns participantes desse processo apontassem pontos preocupantes que o CCG apresentava, o que fez a Valve se pronunciar, principalmente em relação à economia do game, já que ele custa 20 dólares e ainda necessita de mais inserções financeiras que parecem abusivas. A desenvolvedora apontou algumas melhorias, capazes de acalmar os questionamentos mais fervorosos.

Entretanto, alguns streamers e atletas profissionais de card games ainda enxergam problemas que necessitam de melhorias o mais rápido possível. Em entrevista para o Invenglobal, Stancifka, Muzzy, Hoej e Rdu argumentaram quais pontos o CCG da Valve precisa melhorar, segundo a experiência que eles tiveram muitas horas o jogando.

Drow Ranger e sua habilidade assinatura, Gust, que impede o oponente de jogar heróis em uma das lanes durante uma rodada

Nerfs necessários e aleatoriedade questionável

O quarteto de atletas profissionais mencionou a necessidade urgente de algumas cartas serem nerfadas. No formato construído, o jogador dificilmente vencerá se não possui um herói X, enquanto para os drafts, “alguns heróis são completamente injogáveis e estritamente piores em alguns pontos de vista comparado a outros”, ressalta Rdu.

Os heróis mais mencionados como problemáticos ao metagame são Axe, Drow Ranger e Legion Commander. Outro grande problema é a existência de um baralho de OTK (One Turn Kill) no formato construído. “Se você está jogando de verde, é obrigado a usar Drow Ranger por causa de sua habilidade única. Caso esteja de vermelho, é inevitável desejar Axe e Legion Commander”, afirma Muzzy.

Apesar dos heróis já serem ameaças a um metagame saudável, a aleatoriedade causada pela carta Cheating Death tem sido algo mais problemático. O texto dela faz com que todas as unidades aliadas em uma das lanes tenham 50% de chance de sobreviver ao dano letal enquanto ela estiver em jogo.

A frustração gerada por Cheating Death tem sido um incômodo pela dificuldade de jogar ao redor dela. Até mesmo Cifka, que ficou muito tempo se dedicando ao Hearthstone – onde a aleatoriedade é uma das pedras fundamentais do jogo, tem questionado o design da carta. “Eu entendo o motivo dela existir e não me incomodo com fatores aleatórios, mas ela parece um pouco exagerada.”

Início de jogo com os heróis de cada jogador.

Progressão e Aprimoramentos Técnicos

O quarteto de atletas profissionais também salienta alicerces fundamentais para a construção de um game competitivo: Progressão e Rankings. Entretanto, estes dois pontos ainda estão sendo desenvolvidos pela Valve e devem demorar um pouco para serem estabelecidos no game, ainda mais que tais recursos não seriam tão efetivos logo no lançamento do CCG.

Ao mesmo tempo que eles miram torneios e rankings entre os melhores jogadores de Artifact, os quatro avisaram que algumas informações dentro das partidas facilitariam a compreensão do jogo, tanto aos participantes da partida quanto para os telespectadores. Mussy salienta que um tracker seria eficiente para o formato draft, enquanto Hoej acredita que um histórico de jogadas seria uma medida que facilitaria a jogabilidade de todos. Cifka ressalta que os torneios internos do CCG são interessantes, mas precisam de mais possibilidades e que os filtros na montagem de decks são falhos.

Artifact já possui parte dos holofotes virados para ele por causa dos nomes envolvidos no projeto, seja Richard Garfield ou simplesmente a própria Valve, e isso deve ser mais do que o suficiente para fazer o game ganhar adeptos nos próximos meses. Entretanto, ele ainda deve passar por muitas melhorias para realmente chegar num nível de excelência em aspectos técnicos, de jogabilidade e principalmente economia interna, algo que ainda assombra os jogadores incertos da aquisição de um CCG que custa 20 dólares.

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.