BGS 2019 é uma enorme vitrine para a indústria

Evento abrange diversos aspectos do gênero durante cinco dias

A BGS 2019 mostrou-se como uma coalizão gigantesca de vários aspectos da indústria dos games durante cinco dias de feira. Estandes das principais marcas da indústria exibiam seus principais lançamentos para os próximos meses e empresas relacionadas a PC gamer conquistam ainda mais espaço dentro do evento. Entretanto, a BGS continua com problemas grandes que seriam facilmente solucionados se a organização prestasse mais atenção em questões básicas.

O crescimento da indústria dos games no Brasil fica também evidente dentro da BGS. Existe uma pluralidade ainda maior de marcas e segmentos dentro da feira, principalmente com a evolução dos periféricos para PC Gamer. Isso também é um reflexo do crescimento dos e-sports, seja como profissionalização ou pelo aumento de torcedores brasileiros para as organizações tupiniquins ou internacionais. Diversas empresas criaram estandes para expor seus produtos, mas aquelas que foram mais efetivas conseguiram isso através de uma conexão maior com o visitante, principalmente ao criar Showmatches ou facilitar o encontro do público com profissionais que eles tanto respeitam.

Apesar do crescimento notório de estandes focados em e-sports e PC gamer, as principais marcas de consoles ainda tem grande espaço na feira. Nintendo apostava no recém-lançado Link’s Awakening e no vindouro Luigi’s Mansion 3, que formavam grandes filas. Entretanto, Pokémon Sword & Shield não tinha nenhuma demo no evento, apenas um local para tirar uma foto especial com algum dos iniciais de Galar – algo muito pequeno para um lançamentode novembro que já foi muito questionado pelos fãs este ano. 

O estande de Playstation tinha um espaço bastante organizado e possuía o aplicativo da empresa como recurso de agendamento dos testes dos principais jogos, como Final Fantasy VII Remake e Marvel’s Avengers. Porém, o próprio app era péssimo para conseguir garantir garantir seu horário, algo que fica ainda mais difícil num ambiente em que a internet é bastante falho. Enquanto isso, o espaço de Xbox também apostava em vários jogos presentes ou não no mercado atual. Eu tive a felicidade de testar o Bleeding Edge como gostaria e ficar satisfeito de ter conseguido aproveitar a experiência a ponto de desejar o game da Ninja Theory o quanto antes.

Mesmo que tenha evoluído efetivamente como evento de uma indústria tão grande, a BGS 2019 ainda demonstrou grandes problemas, seja por causa da programação realizada por quem gerencia o evento ou, principalmente, por alguns estandes. O exemplo mais grave é sobre as Booth Babes, mulheres de corpo escultural com roupa justa, sendo usadas como chamariz de público para o produto de determinada empresa. Outro erro considerável era a ausência de cadeiras na área do YouTube Gaming, assim todo mundo que acompanhava as entrevistas era obrigado a ficar em pé o tempo inteiro ou sentar-se no chão. Colocar a final do Counter-Strike feminino na quarta-feira, único dia fechado para público, é um equívoco absurdo, ainda mais quando havia mudanças claras que poderiam ter sido feitas para agendar o jogo delas num momento com mais visibilidade.

O grande diferencial da BGS 2019 foi a forma que a comunidade se relacionou, algo que é de pura responsabilidade de visitantes e quem conduz os estandes. Era notória a interação dos profissionais com o público para fazer o máximo possível para que eles conhecessem melhor aquele jogo ou que tivessem uma ótima experiência, seja agitando a galera durante as partidas ou simplesmente atendendo a pedidos de fotos. 

Créditos: Pilar Pueblita

A BGS 2019 teve seus grandes momentos, como a vitória do Tekken Master no torneio de Mortal Kombat 11 ou no show da Video Game Orchestra, mas ainda possui erros bobos que uma feira tão consolidada deveria ser capaz de evitar. Ao mesmo tempo, fica o questionamento de como não há nada que aproveite tantos profissionais competentes no ambiente para criar palestras sobre a indústria ou entrevistas especiais em todos os horários, algo que o tornaria não só uma vitrine daquilo que vende, mas algo mais profundo e enriquecedor para o próprio crescimento do mercado brasileiro de games.

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.