Comunidade de Pokémon GO é um exemplo a ser seguido

Toxicidade é caso raro entre os jogadores do game

Pokémon GO foi um fenômeno mundial no seu lançamento, em 2016, e tornou-se popular até mesmo entre aqueles que não eram fãs da franquia japonesa. Em 2017, ele diminuiu sua fama e ganhou status de morto para aqueles que nunca se interessaram pelo aplicativo, mesmo que isso fosse incorreto. No último ano, a Niantic voltou a fazer o aplicativo um dos principais games mobile, algo que trouxe antigos e novos treinadores ao jogo. Parte dessa consolidação do produto, mesmo quando esteve em baixa, é causada pela comunidade sempre ativa, um alicerce que gera conteúdo e abraça os iniciantes como nenhuma outra da atualidade.

Enquanto muitas comunidades de games atuais são consolidadas através do ambiente da Internet, assim gerando uma distância que pode manter o anonimato de cada indivíduo, Pokémon GO desde o início teve a questão da socialização como recurso básico de seu funcionamento. Sair para andar por um parque com amigos e acabar conhecendo outras pessoas jogando o game é algo extremamente comum, ainda mais nos locais com maior distribuição de Pokéstop, o que torna a interação entre as pessoas mais natural e respeitosa.

Por ter um público tão vasto em faixa etária, gênero e estilos, o jogo da Niantic tende a aproximar os indivíduos, principalmente por não possuir nenhum tipo de competição predatória entre os jogadores. Enquanto é muito comum discussões sobre toxicidade em outras comunidades dos games, a de Pokémon GO trata tais situações com extrema raridade. Obviamente, isso ainda existe de algumas formas, como foi abordado pelo Pokehub em dezembro de 2018, levantando muitos questionamentos pelos leitores.

O recente Safari Zone Porto Alegre é mais um dos exemplos claros de bom convívio entre os jogadores da comunidade. Um dos meus amigos mais próximos viajou ao evento com sua tia, também jogadora, e pode ajudar um romeno a se situar pelos locais que ocorreria as capturas de pokémon, além do hotel. Isso fez com que o turista não se sentisse tão sozinho e se mostrasse agradecido pelo que eles haviam feito por ele. Fatos como esse podem ser vistos pelos criadores de conteúdo que produziram vídeos durante a viagem e se sentiram bem recebidos pelos brasileiros que os ajudaram.

Contudo, a comunidade tem se mostrado ainda maior do que para situações ligadas ao jogo. Durante a Safari Zone, a organização se prontificou de criar um posto de coleta para ajudar Brumadinho por causa do crime ambiental, além de realizar o minuto de silêncio em respeito às vítimas. Essa solidariedade para com o outro também ocorre em eventos criados pelos próprios jogadores com intuito de auxiliar alguma causa. Em São Paulo, por exemplo, treinadores se reúnem num local e doam algo que o organizador do encontro está solicitando, como ração para animais domésticos ou alimentos perecíveis, em troca de Caixas Misteriosas, item que permite capturar o lendário Meltan.

Enquanto a toxicidade entre os jogadores é um dos motivos que afugenta o público de grandes games da atualidade, Pokémon GO segue um caminho totalmente diferente ao aproximar os fãs da franquia e criar um vínculo maior entre eles, seja nos grandes eventos ao redor do mundo ou nas reides espalhadas pela cidade. A comunidade tornou-se receptiva como a Niantic sempre desejou que seus consumidores fossem, fazendo disso um grande diferencial que foge até mesmo das mãos da desenvolvedora e torna-se um dos maiores motivos de orgulho para quem participa dela.

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.