Maiores decepções dos games em 2019

Plataformas, empresas e jogos não cumpriram com o esperado

A indústria dos games teve muitos acertos em 2019, mas as decepções também foram enormes. Muitas empresas entregaram jogos, que demonstravam muito potencial durante o período de publicidade, muito abaixo do esperado, plataforma que poderia mudar a forma de consumir jogos fracassou e polêmicas de política internacional ganharam destaque dentro do cenário competitivo dos esportes eletrônicos. Por isso, listamos quatro decepções que marcaram o ano.

Jump Force

A Bandai Namco costuma criar jogos que adaptam grandes animes. Em Jump Force, a empresa poderia fazer o maior título de crossover ao colocar vários personagens populares em combate, mas praticamente nada funcionou no produto final. A desenvolvedora Spike Chunsoft seguiu um modelo de luta já conhecido pelo público japonês e muito utilizado em jogos do Naruto, mas não tão atrativo como proposta competitiva. Com isso, ele teria que ser divertido para funcionar, principalmente no Modo História, mas é aí que tudo fica ainda mais trágico. 

Problemas no visual ficavam evidentes durante as animações e as repetições da dinâmica narrativa criada para o Modo História tornam o maior diferencial do produto uma experiência medíocre. Assim, o melhor que existe nele é poder ver personagens tão importantes da Shonen Jump juntos, mesmo que isso já tenha sido feito anteriormente – com qualidade questionável também. Tudo isso ainda ressalta a presença absurda de Jump Force na categoria de Melhor Jogo de Luta do The Game Awards.

Nem mesmo o carisma dos personagens dos animes salvam Jump Force

Anthem

A EA teve muitos altos e baixos, mas nenhum deles supera o fracasso de performance do Anthem. O jogo, que prometia ser o novo Destiny, ficou muito abaixo do esperado desde os gráficos  apresentados e até mesmo nos quesitos básicos de desempenho. O caso mais danoso com o jogo gerava um problema tão incomum que desligava o console, algo que pode danificar o aparelho imediatamente.

O fracasso de Anthem é ainda mais problemático pela questão financeira lucrativa que a empresa conseguiu ao entregar um produto tão problemático. O jogo da EA foi um dos games mais vendidos de 2019, algo que não condiz em nada com o produto final. A Bioware continua trabalhando para tentar salvar o game para os jogadores, mas dificilmente será recuperada a credibilidade da desenvolvedora ou torná-lo algo próximo de tudo que foi prometido.

Gameplay de Anthem

Blizzard

É difícil de avaliar o quão incomum foi o ano de 2019 para a Blizzard. A empresa entrou numa confusão gigantesca com seu público por causa da punição dada ao jogador de Hearthstone Blitzchung, que mostrou seu apoio às manifestações democráticas de Hong Kong. Com isso, uma das companhias com a melhor reputação para o público de videogame se viu como membro principal de uma polêmica de política internacional.

Para complicar ainda mais a Blizzard, a empresa não conseguiu grandes acertos durante o ano, exceto a ampliação da Overwatch League. Hearthstone enfrenta um período conturbado em que o mais atrativo tem sido seu surpreendente Auto Battler; Overwatch torna-se cada vez menos interessante para o público por causa do mal desenvolvimento dos personagens e novidades atrativas – ainda mais depois da sequência do FPS ter sido revelada; e Warcraft 3: Reforged era aguardado para 2019, mas será lançado apenas em 28 de janeiro de 2020. Essa junção de problemas complicou até mesmo o hype que a empresa poderia criar com a Blizzcon – mesmo que Diablo IV tenha chamado bastante atenção do público e minimizado algumas decepções.

A imagem mais bonita da BlizzCon 2019

Google Stadia

A Google decidiu investir pesado em sua plataforma que permitiria uma revolução na forma que os jogos seriam consumidos, mas isso ficou apenas no conceito até agora. Além do catálogo do serviço ser minúsculo para valer o investimento, os jogos ainda precisam ser comprados em seus preços convencionais, assim gerando nenhum benefício realmente atrativo para tornar a assinatura do serviço atrativa. 

Google Stadia em área controlada para teste

Os problemas de performance foram muito salientados pelos jornalistas que tiveram acesso ao Google Stadia. Agravantes de latência e consumo de dados são grandes, o que dificulta o aparelho ser convidativo. A empresa tem trabalhado em melhorias e ampliando seu futuro repertório de jogos com a aquisição de estúdios com profissionais de renome, mas está muito longe de ser a revolução que prometia, principalmente em questão de acessibilidade. Com a Internet disponível para os brasileiros, o serviço tende a sofrer no país também.

As decepções da indústria dos games em 2019 mostram como empresas consolidadas conseguem entrar em situações de repercussão negativa por causa da má gestão de problemas ou pela forma ineficiente de conduzir os projetos antes do lançamento. A maioria delas por causa do pouco tempo que os desenvolvedores possuem para entregar o produto final e assim garantir as vendas daquele ano, independentemente da qualidade.

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.