Entretenimento e competitividade: duas faces da mesma moeda nos esports

Telespectador nem sempre se importa com os dois aspectos

Entretenimento e competitividade são dois elementos básicos de qualquer modalidade dos jogos eletrônicos, entretanto, elas nem sempre andam lado-a-lado, o que causa pequenos problemas para quem é responsável pelos jogos, já que o telespectador pode perder o interesse gradualmente por aquilo. Este fator pode estar associado à forma que o próprio público está acostumado a consumir o conteúdo dos jogos, principalmente em stream.

Com a facilidade de consumir conteúdo sobre games por grandes plataformas de streaming ou vídeo, como Twitch e YouTube, respectivamente, o público começou a achar pessoas que são capazes de o entreter pela forma que se comunicam com quem está do outro lado da tela, seja pelo lado divertido e carismático que ou pela maneira técnica que explica cada uma de suas jogadas.

Essa discussão também reflete qual é a forma que o produtor de conteúdo enxerga o que ele deseja entregar ao público. Alguns encontram o caminho do sucesso tornando seus vídeos ou streams divertidos, independentemente do jogo. Isso dá uma flexibilidade grande porque ele pode seguir tendências sem o problema da complexidade que existe em competições ou pegar o melhor que houve de um dia inteiro jogando e transformar em publicação no YouTube – recurso que é muito utilizado para compilar situações inusitadas em uma produção de aproximadamente 10 minutos.


Enquanto é fácil do público encontrar um streamer ou produtor de conteúdo que consiga satisfazer suas necessidades de entretenimento e competitividade, caso este seja o foco dele, organizadores de torneios precisam do interesse do maior número possível de telespectadores possível. Caso o metagame daquele jogo esteja num período que os fãs não conseguem sentir prazer ao assistir, a queda de visualizações é inevitável. Para isso, algumas mudanças são inseridas nos eventos posteriores, assim tentando tornar todo tipo de partida atrativa aqueles que conhecem de longa data as competições ou começarem a ter interesse por elas recentemente.

Hearthstone sofreu com isso recentemente por causa dos decks baseados em Baku the Mooneater e Genn Greymane, o que resultou na remoção deles do Standard antes do previsto. Overwatch passa pelo mesmo em sua liga por causa da formação GOATS, que é muito impopular pelo público. A justificativa deles é que os confrontos são muito demorados entre os jogadores e não existe diversidade entre os personagens selecionados, já que a base dessa estratégia elimina a necessidade de todos os heróis focados em dano.

Entretanto, não é o metagame que afeta o entretenimento. Alguns streamers notórios são convidados para eventos com o intuito de chamar mais telespectadores àquela competição, mas isso nem sempre agrada a visão de quem apoia o cenário profissional de determinadas modalidades. A Wizards of the Coast passa por isso desde os convites feitos para o Mythic Invitational, primeiro grande torneio de MTG Arena. Agora, ela entra novamente em discordância com os atletas da elite do card game por convidar jogadores que não possuem pontos competitivos para entrar nesse grupo seleto, mesmo que ambos sejam muito bons.


Essa relação entre entretenimento e competitividade é algo que os organizadores precisam avaliar pontos positivos e negativos para não criar um problema que desgasta o próprio produto. Overwatch e League of Legends são duas modalidades de esports que investem no fim de semana das estrelas para tentar minimizar a seriedade do competitivo e criar um espetáculo que modifique a forma que o telespectador consome as partidas e criar outros tipos de confrontos que os torneios nunca permitiriam.

Entretenimento e competitividade sempre estarão atrelados em qualquer modalidade grande dos esports, mas nem sempre telespectadores e organizadores compreendem as nuances que existem para  tornar o produto atrativo, principalmente aos leigos, e no nível mais alto possível de jogo. Enquanto os dois pontos não criam uma sinergia eficiente, as modalidades ganham aspecto de nicho dentro de seu próprio público, assim tornando mais agradável acompanhar os streamers.

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.