Por que o game design de Trono de Eldraine é tão especial?

Nova coleção incorpora contos de fadas e arturianos ao card game

Trono de Eldraine é a nova coleção que a Wizards of the Coast lança essa semana para o MTG Arena e posteriormente para a versão tabletop. Apesar de seguir os mesmos padrões de lançamentos anteriores, o game design dessa vez chama atenção pela forma que insere contos de fadas e histórias arturianas dentro do lore de Magic: the Gathering – seja em qualidade artística, técnica dos conceitos do card game ou na narrativa desse multiverso.

A Wizards of the Coast já trabalhou com diversos conceitos diferentes como temática de suas coleções. Por exemplo, mitologia grega em Theros, cultura oriental em Kamigawa e contos de Lovecraft em Innistrad. Em Trono de Eldraine, os jogadores reconhecem clássicos contos de fada através de artes, habilidades e flavor text. A Távola Redonda, do Rei Arthur, é o centro das atenções em algumas cartas, assim estabelecendo uma armada de cavaleiros. Entretanto, essa junção de MTG e histórias clássicas mundialmente não faz com que a parte estratégica se sobreponha às características desse plano nem que o conceito estratégico torne as alegorias ineficientes. 

Quando temática e jogabilidade se combinam de forma efetiva, é um sinal de bom game design, algo que faz com que o público crie mais interesse por aquele produto. Por exemplo, imagine se o primeiro God of War tivesse sido lançado ótimo apenas pela jogabilidade desenfreada de hack n’ slash, mas que fosse falho miseravelmente ao recriar a cultura grega. A obra do Santa Monica Studio não teria a mesma eficácia porque sua imersão naquele universo soaria falsa. 

Em Trono de Eldraine, a maioria das cartas tem várias funções a serem preenchidas: encaixar-se ao lore do MTG, corresponder aos temas de contos de fadas e arturianos, e manter-se coerente em jogabilidade. Vamos analisar como duas cartas se encaixam perfeitamente nisso: 

  • Lovestruck Beast: A Bela e a Fera ganham vida com a criação dos dois personagens na mesma carta – graças à mecânica inédita de Aventura, assim permitindo que o jogador use dois lados da mesma moeda. A jovem é uma humana pouco combativa, enquanto o nobre animalesco ganha “motivação” quando alguém como ela está ao seu lado;
  • Inquisitive Puppet: Pinóquio é retratado magistralmente aqui. O boneco inocente que deseja ser humano consegue isso, assim modificando-se completamente. Entretanto, o flavor text mostra as inspirações nos Irmãos Grimm ao relatar a mente conturbada do recém transformado em menino. 

A Wizards of the Coast também acerta em criar novos layouts que corroboram com a temática de Trono de Eldraine. Eles desenham um ambiente encantado com seus moldes de livros nos textos das Aventuras e pela arte que parece um mergulho ao mundo daquelas histórias devido aos traços precisos de cada artista. 

Com poucos erros de game design, como a incompreensível Questing Beast, Trono de Eldraine é uma combinação magistral de como incorporar a temática que dá base ao conceito do produto em algo natural para um jogo que sempre precisa se reinventar, mas sem fugir dos elementos básicos. Agora, resta o tempo comprovar que tais criações da equipe da Wizards of the Coast são eficientes dentro dos formatos do card game de maneira saudável aos metagames.

Trono de Eldraine será incorporado ao MTG Arena a partir de 26 de Setembro.

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.