A árdua jornada do Flamengo ao título do CBLoL

Depois de disputar duas finais e ser abatido, Flamengo chega mais uma vez na decisão e desta vez vence.

Flamengo Esports, equipe criada em outubro de 2017, teve seu início no competitivo de League of Legends sempre almejando o primeiro lugar do campeonato brasileiro de League of Legends, o CBLoL. Apesar do projeto bem estruturado, demorou muito tempo para o clube conseguir fazer com que o time chegasse até o tão desejado título, gerando muita frustração pelo caminho.

Entrada no profissional

O time que deu a entrada no profissional em 2018 no Circuito Desafiante chegou às etapas finais, porém a primeira derrota de título já apareceu. Essa final foi marcada pela vitória extravagante da antiga IDM Gaming. Na partida inicial os Macacos focaram totalmente na rota inferior, onde brTT jogava. Com uma velocidade de ataque e pressão direta, os Rubro Negros não aguentaram e perderam assim a primeira partida daquela etapa de possível classificação para o CBLoL.

Mas nada abala um time com nome grande. O Flamengo tentou a volta por cima, BRTT com sua Jinx ficou com um placar de 6/0/4. Na época, Corki e Fiora eram escolhas muito fortes, sendo que os mesmos estavam nas mãos dos jogadores do Flamengo. A melhor para a IDM era esperar o tempo correr, mas ao invés disso foram à luta, e assim perderam, assim empatando o placar.

Os jogos 3 e 4 foram totais dominantes pela IDM, sem dar chance aos Urubus fazerem alguma coisa. Anyone, que na época jogava pelo time da IDM Gaming, chegou a ficar 11/2/5 de Kassadin, sem dar chances para o time rubro-negro respirar. No último e decisivo embate, Anyone de novo deslanchou de Syndra, ficando 5/1/7 e colocando o Flamengo em segundo lugar já na sua primeira final do competitivo de League of Legends brasileiro.

Mesmo perdendo, eles tiveram a segunda chance de subir para o CBLoL, tendo de vencer a Team One, o que eles conseguiram com um placar de 3×2, assim o Flamengo Esports ingressava no campeonato principal de League of Legends do Brasil.

Começo Complicado

A equipe Rubro Negra foi mudando aos poucos, trocando elenco, trazendo novos talentos para dentro e fora de Summoners Rift. Na segunda etapa de 2018 formou-se um time consolidado. Park Jin-cheol “Jisu” no topo, Lee Byeong-Honn “Shrimp” selva, Bruno “Goku” Miyaguchi no meio e a dupla da bot lane Felipe “brTT” Gonçalves de ADC e Eidi “esA” Yanagimachi” como Suporte.

Todos viam o time como uma equipe consolidada e pronta para ser campeã, com potencial para dominar. Mas nesta segunda etapa de 2018 não foi o que se esperava. Mesmo com uma fase de pontos e playoffs totalmente dominantes e incríveis, chegaram à final e derrota no momento derradeiro voltou a atingir o time.

A primeira final no CBLoL

O embate era contra a Kabum Esports, com elenco formado por Zantins, Ranger, DyNquedo, Titan e Riyev. Os Rubro Negros estavam confiantes de tudo, a equipe tinha um bom retrospecto, mas a Kabum foi superior. Apesar do Flamengo não ter tomado conhecimento do adversário, Shrimp e Goku destruíram a partida. Com um início de partida acelerado, o jogador da selva do time carioca conquistou diversos abates. Goku no meio não parava na rota, saía com sua LeBlanc espalhando dano e causando abates – mostrando uma facilidade incomum.

Mas o despertar da Laranja Mecânica veio. Ranger, selva da Kabum, parecia outra pessoa ao entrar na segunda partida. Com seu Jarvan ele ficou 8/1/12. O caçador anulou completamente a rota inferior do Flamengo, assim deixando muito forte seus companheiros de equipe. A terceira partida foi muito equilibrada de ambos os lados. Os times se doaram ao máximo, pois sabiam que quem vencesse estaria a um passo do título. Um embate decidido nos erros garantiu a vitória da Kabum.

O quarto jogo era decisivo para ambos os times. A resiliência do Flamengo foi incrível. Mesmo sofrendo no início da partida, ainda mais na parte inferior, o time conseguiu manter a cabeça no lugar e cadenciou o jogo conforme suas vantagens para levar ao confronto de desempate. A partida decisiva foi um show à parte de dois nomes: DyNquedo e Titan. O começo difícil para o atirador da Kabum não o abalou, com uma recuperação surpreendente ele cresceu nas lutas e ajudou o time sair vitorioso.

Reconstrução e mais uma queda

A primeira etapa para apagar as derrotas de 2018 foi trazer dois jogadores de alta qualidade e um analista para a equipe. A contratação inicial foi Leonardo “Robô” Souza para o top. A segunda um novo suporte, Han Chang-hoon “Luci”, e Seong Sang-hyeon “Reven”, o Flanalista. As mudanças deram certo e a equipe  se manteve na primeira colocação o primeiro split inteiro, sem dar chances para qualquer adversário. Entretanto, o tropeço veio justamente na final contra a INTZ Esports.

O time Rubro Negro estava confiante da vitória, todos o apontavam como favorito por causa do desempenho, assim criando um clima que pode ter sido prejudicial para a equipe. Porém, a INTZ não se viu como vencida em nenhum momento e mostrou toda a sua qualidade. A primeira partida foi a mais rápida de toda a etapa, com 20min e 03s, causando um choque. Tudo por causa de uma invasão tardia da equipe Intrépida que deu tempo para o Flamengo se preparar e acabar com o jogo ali mesmo.

O segundo jogo por sua vez foi equilibrado, tendo muita estratégia e ganho de mapa dos dois lados. Mesmo com a dança por domínio do mapa, a INTZ aproveitou melhor os espaços nos combates, pegando barão, ancião e vitória. Entretanto, brTT fez diferença com sua Tristana no terceiro confronto. Com boas rotações no mapa, o Flamengo não deixou passar e neutralizou o Envy, com diversos Ganks. Os rubro negros avançavam e a INTZ defendia. Foi ali que o Pentakill do Envy, com seu Ryze, deu esperanças, mas não foi o suficiente para segurar os adversários.

Envy realmente era a pedra no sapato do Flamengo e assim se manteve no quarto jogo. Mesmo com a derrota na partida anterior, o time não se abalou. Com ótimas rotações e um domínio de terreno em sua própria lane, o jogador ficou 11/0/8 na partida. Com isso, o placar ficou novamente igualado.  Tudo começou bem para o Flamengo no último jogo da final, que na rota inferior impôs seu ritmo. Mas para Tay, de Kayle, o que bastava era tempo. O campeão segurou bem e Envy, de Ahri, fez um papel importantíssimo segurando a partida.

Enfim campeão

O mesmo filme do primeiro split aconteceu: o time ganhou suas partidas com grande qualidade técnica nos jogos e mostrou porque se mantinha como uma grande favorita da segunda etapa, mesmo que elenco e comissão fossem os mesmos. Mostrando uma mentalidade diferente e mais consciente do peso que a derrota teria, o Flamengo se preparou para a final para remover todos os pesos que haviam nos ombros da equipe.

Com a decisão no Arena Jeunesse, no Rio de Janeiro, a atmosfera favorável ao time carioca era inevitável, principalmente quando os atletas da equipe foram colocados tantas vezes em contato com os torcedores nos jogos do Maracanã. A primeira partida começou a todo vapor pelos Urubus com o first blood. Entretanto, os Intrépidos começaram a ter domínio da partida, cadenciaram o jogo e venceram esse primeiro embate.

O Flamengo sentia que aquilo já tinha acontecido. Mas estava lá para fazer ser diferente. Com a segunda partida em andamento, o Flamengo teve muita disciplina. brTT no início da partida perdeu seu flash, fez com que o atirador farmasse apenas com o disparo místico de seu Ezreal. Isso não foi problema. Seu caçador ajudou na rota e conseguiram assim a primeira kill da partida. Depois de um tempo as lutas começaram a estourar, o Flamengo com melhor posicionamento teve domínio e assim conseguiu o Barão, para abrir a base da INTZ. Depois com um segundo Barão foram lá e consolidaram a vitória, assim empatando a série.

Tay (Corki) e Envy (Vladimir) foram os responsáveis pelo sucesso da INTZ no terceiro jogo. Mesmo sendo solado na lane, Envy não se abalou e com bom uso de pacotes veio a retomar o controle. Tay por sua vez estava gigante. Mesmo em 2v1 ele era não era mais batido. Os dois foram essenciais para trazer a vitória aos Intrépidos, que assim estavam à mais um passo de ser novamente campeão e deixar o Flamengo de novo no “cheirinho”.

Isso não aconteceu. A quarta partida veio para trazer o jogo de volta os Flamenguistas. Robo com sua Irelia fez história. Antes dos cinco minutos, o top laner já estava com três abates, levando os torcedores à loucura. O time rubro negro ficou imparável, assim conseguiu vencer e empatou novamente a final. Eles já tinham presenciado isso duas vezes seguidas no CBLoL e não queriam uma terceira. O Flamengo trouxe para Robo de novo sua Irelia, que brilhou novamente. Mesmo com o caos da final e os nervos a flor da pele, o time Rubro Negro manteve a cabeça centrada. Com boas lutas, e tomada de decisões, o Flamengo pegou o barão e venceu a partida.

Rumo ao Mundial

Após quase três anos, campeões finalmente. Os jogadores demonstravam de formas diferentes como queriam tanto aquilo, seja na emoção da situação, pela energia que vinha dos torcedores na Jussene Arena ou até mesmo nas declarações dos atletas do Flamengo. Shrimp sem ações chegou a colocar a cabeça dentro da taça e brTT falando sobre todos que os ajudaram a alcançar o título, principalmente as memórias dele com o avô. Era a alegria que faltava para a organização, que agora representará o Brasil no Mundial.

Agora, o Flamengo se prepara para participal do Mundial e tentar mudar o retrospecto dos brasileiros em grandes torneios internacionais. Além disso, o peso da conquista do CBLoL engrandece o projeto que o clube carioca criou para os e-sports, algo que trouxe novos torcedores para a comunidade e também mostra que é possível outros grandes nomes dos esportes tradicionais buscarem as modalidades dos jogos eletrônicos.

Apenas um cara apaixonado por games e jornalismo, que transfere a emoção pelas palavras, a euforia em textos e o humor da forma que puder. Morador de uma cidade pequena do interior de SC mas que sonha grande, grande como SP, meu próximo local de moradia. Vou tentar fazer você apreciar meus textos e dar até umas boas risadas. É isto galera.