Legends of Runeterra é um amálgama incrível de card games

Novo projeto da Riot Games tem potencial para se consolidar como sucesso do gênero

A Riot Games anunciou vários projetos na última semana e Legends of Runeterra foi o único deles que pode ser testado em sua versão inicial durante alguns dias. O card game mistura elementos de vários jogos do gênero – Magic: the Gathering e Hearthstone principalmente -, mas também traz originalidade em como cada etapa funciona, fluidez através da jogabilidade e complexidade nas decisões de montagem de deck e combate. Tudo isso com um visual exuberante, ainda mais nas animações extravagantes. 

Legends of Runeterra é um card game de confrontos 1×1. Cada jogador monta seu baralho de 40 cartas com no máximo duas regiões do universo do LoL. Elas são até agora Shadow Isles, Ionia, Piltover & Zaun, Demacia, Noxus e Freljord. Com isso, cada uma delas possui um grupo de cartas específicas, repletas de características únicas, mas que também possuem sinergia com estratégias de outro local.
A missão de ambos os jogadores é causar 20 de dano no Nexus do adversário. Para isso, é necessário entrar em combate com suas unidades contra o oponente ou usar alguma habilidade especial para derrotá-lo de outra forma. Todos os campeões podem evoluir para uma versão mais poderosa, mas apenas se cumprirem o requerimento necessário. Por exemplo, Jinx precisa que o jogador controlador dela esteja com a mão vazia para alcançar seu próximo nível, assim tirando proveito de habilidades que necessitam de descarte para ativação. 

Entretanto, seu maior diferencial é na forma que os jogadores ganham mana através de cada rodada e pela forma que até 3 delas são mantidas para uso exclusivo de mágicas no turno seguinte, caso não tenham sido usadas anteriormente. Com isso, as mágicas de custo alto conseguem ser colocadas em jogo antecipadamente e ambos os participantes da partida sempre tem como aproveitar seus recursos conforme dão ritmo a sua estratégia. Além disso, as prioridades entre turnos para ambos os jogadores trazem dinamismo e rapidez, principalmente depois que você entende em que momento cada recurso pode ser utilizado e como tirar benefício disso. 

Mesmo que a jogabilidade de Legends of Runeterra seja impressionante, o que o torna melhor do que qualquer jogo do gênero é a qualidade visual. É impressionante o trabalho da Riot Games ao criar um jogo com tanto primor nas animações que acontecem a cada efeito das cartas e conforme os campeões evoluem. Por exemplo, quando você consegue ganhar a partida através da habilidade da Fiora, a tela é dominada por espada e pétalas de rosa até o jogador ser declarado vencedor. Tudo isso sem exigir muito do computador que utilizei, o que pode ser bastante importante para conquistar público. 

Calendário do Legends of Runeterra

Outro ponto positivo que senti durante minhas nove horas ininterruptas jogando Legends of Runeterra foi a qualidade da jogabilidade para tornar as partidas prazerosas. Por exemplo, ganhar mana todas as rodadas faz com que a dinâmica de conjurar unidade ou mágica seja bastante fluida, ainda mais com as 3 manas que podem ficar na reserva para o turno seguinte. Esse aspecto também é relevante na montagem do deck porque você quer tirar vantagem dessas manas sobressalentes, assim precisando criar uma combinação relevante de unidades e mágicas. Sentir que eu não era prejudicado em nenhum momento pelo pequeno fator randômico do jogo é maravilhoso, ainda mais quando está aprendendo as regras dele. 

Para quem não é adepto de card games ou jogos de estratégia, Legends of Runeterra vai ser bastante complexo no início por causa de várias camadas que cada jogada representa. Você precisa decidir se a melhor decisão é atacar primeiro ou conjurar sua primeira carta da rodada, algo que pode impactar diretamente no jogo. Outro ponto é o gerenciamento de mana numa rodada quando a economia dela pode trazer mais benefícios para conjurar algo mais caro na rodada seguinte. Toda decisão, por menor que pareça, é muito importante, seja na montagem do deck ou durante o jogo. Obviamente, isso se torna menos intenso quando já existe um metagame e o jogador conhece cada ameaça que o oponente tem em seu baralho, mas ainda há etapas básicas da jogabilidade que são repletas de complexidade, algo que me agradou muito por já ser adepto do gênero há muitos anos.

Nesse teste inicial do Legends of Runeterra poucas coisas me parecem ruins no jogo, mas que devem ser melhoradas facilmente pela Riot. A primeira delas é a ausência de localização para o português, algo que deve ser inserido antes mesmo do lançamento oficial. O tutorial é muito simplório e não deixa tão claro como cada aspecto do jogo funciona, então eu aprendi bastante dele jogando várias partidas contra a inteligência artificial. 

Alguns aspectos são mais complexos de modificar, como um número tão grande de keywords referentes às habilidades ou termos específicos de situações dentro da partida. Para quem consegue associar cada um deles a outro tipo de jogo torna-se mais fácil de decorar, mas para iniciantes do gênero é necessário ficar verificando o que seria aquilo. Isso também é algo problemático por causa da forma que as habilidades das cartas são descritas. Por exemplo, “ready your attack” não diz nada que deixe explícita sua possibilidade de atacar o adversário – até mesmo quando você está na posição de defensor. Em algumas situações, as habilidades são descritas na primeira pessoa do singular, como se o próprio campeão estivesse falando o que ele faz para o jogador, algo que pode gerar confusão em alguns momentos.

Sua economia permite que o jogador compre as wildcards das raridades que precisa através de gold ou crie as cartas com os fragmentos que adquire nos baús. Até o momento parece efetivo para conseguir montar os decks, mas é preciso ter mais tempo para entender se ela é realmente funcional ou torna-se predatória conforme novas cartas são lançadas. Entretanto, o pacote de iniciante da loja parece uma compra excelente para quem tá começando no jogo ter mais possibilidades de montagem de baralho.

Legends of Runeterra mostrou um potencial gigantesco em seus cinco dias de teste, algo que fez o Disguised Toast ter o segundo canal mais visto da Twitch durante a semana, perdendo apenas para o da Riot Games, segundo o Esports Observer. É um card game gratuito, dinâmico, bonito e prazeroso de jogar, principalmente por pegar aspectos dos outros jogos do gênero e torná-los menos problemáticos. Não duvide se ele crescer muito e se tornar um novo e-sport pouco tempo depois do seu lançamento, ainda mais com a qualidade notória demonstrada na primeira vez ao público. 


Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.