Manastrike é tentativa pobre de adaptar MTG para outro gênero

Jogo simula Clash Royale dentro do universo do card game

Manastrike é uma das tentativas da Wizards of the Coast de deixar com que a franquia Magic: the Gathering seja remodelada para gêneros que fogem do convencional card game. Porém, ao tentar recriar uma versão de jogo semelhante ao Clash Royale para o multiverso dos planeswalkers, a desenvolvedora Netmarble não conseguiu entregar algo que fosse tão atrativo em jogabilidade nem mesmo uma representação rica do universo do MTG.

Assim como no Clash Royale, a missão de cada jogador é derrotar o máximo de pontos de defesa do adversário. Se no jogo da Supercell as torres são os alvos principais, no Manastrike guardiões e deuses do plano egípcio de Amonkhet ou líderes de Ravnica são os alvos a serem derrubados. As grandes mudanças ficam pela possibilidade de cada jogador ter um planeswalker que pode ser conjurado pelo menos três vezes durante a partida e pela incômoda tela horizontal – algo que pode gerar a sensação de proximidade com a parte inferior, assim forçando esse caminho da arena para os ataques. 

Cada Planeswalker pode usar cartas específicas que correspondem as suas cores e assim montar sua estratégia de jogo. Por exemplo, Jace Beleren tem cartas azuis disponíveis para ele, como tritões, mágicas de duplicação do personagem e magia que cega os oponentes até serem atacados. Manter os aspectos básicos de cada planinauta é essencial para mostrar como eles estão sendo respeitados nessa nova abordagem.

Porém, a adaptação é realmente eficiente apenas com os planeswalkers. A maioria das cartas são usadas de maneiras genéricas e fazem pouco sentido com o material original, gerando aquela sensação de estranheza instantânea naqueles que estão acostumados com o card game. Para piorar, as cartas incolores são muito semelhantes em design quando aparecem no cenário da arena, o que gera uma confusão inicial até se adequar ao aspecto de cada uma. Torna-se importante sempre verificar a animação de preview do que cada carta faz, caso contrário é comum se confundir.

Essa falta de primor em transformar as cartas do Magic: the Gathering para as do Manastrike é um dos maiores defeitos dele porque fica a sensação de que apenas usaram moldes de jogabilidade do Clash Royale e pegaram pequenas referências à franquia sendo adaptada. O próprio conceito do confronto levanta indagações. Nicol Bolas é um grande mestre dos jogos, planeswalkers se enfrentam pelo campo de batalha e deuses de Amonkhet ou líderes das Guildas de Ravnica são a “torre” principal. Nada disso parece com MTG, apenas os personagens que são usados como maior ponto de carisma da franquia no produto da Netmarble.

Durantes os testes do Manastrike, eu ainda tive bastante problema com o servidor do jogo. Em vários momentos ele se mostrava falho durante a partida, gerando a sensação de que uma possível derrota seria causada pela instabilidade do próprio jogo. Independentemente de estar no 4G ou Wi-Fi, o problema prosseguia. Outro agravante eram as telas de carregamento do menu principal para coleção, visualização do deck ou a loja do game. Sempre havia uma lentidão incômoda.

Manastrike se torna um produto que fica aquém do que a franquia Magic: the Gathering merece por seu universo vasto e carismático, além de não entregar uma jogabilidade fluida, facilmente compreensível e divertida. Ele deixa apenas o gosto amargo de uma adaptação mobile que não aproveita o potencial que tinha nas mãos, seja pela jogabilidade ou na riqueza da franquia. Talvez, com mais polimento e melhorias precisas, o jogo consiga acertar nos vários problemas que ele apresenta hoje.

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.