Mythic Championship III ressalta o sucesso do MTG Arena

Matias Leveratto se classificou online e tornou-se o novo campeão

O Mythic Championship III realizado pela Wizards of the Coast serviu como parâmetro para o que ela tem feito de certo e errado com seu card game em aspectos de e-sports. Assim como na transmissão do Mythic Invitational, quando Andrea Mengucci se consagrou campeão, a produção cometeu apenas pequenos deslizes, enquanto competitivamente grandes nomes do MTG, físico ou digital, mostraram porque eles mereciam estar entre os 64 participantes do evento – mesmo que a empresa se encontre em opções controvérsias em relação a sua liga profissional.

Matias Leveratto, jogador argentino que conseguiu sua vaga através do qualificatório realizado dentro do MTG Arena, se tornou campeão do torneio com sua decklist de UG Nexus, assim eliminando uma grande quantia de Espers (Hero ou Control) que estavam presentes no campeonato. Ele esteve no Top 4 ao lado de Brad Nelson, Shahar Shenhar e Kai Budde – um dos jogadores mais respeitados pela comunidade de Magic the Gathering pelos feitos que ele acumula em toda carreira.

Apesar de novamente acertar com a realização do evento, a Wizards of the Coast tem sofrido com os questionamentos feitos pela comunidade. O motivo principal foi a inclusão do streamer Savjz na Magic Pro League, mesmo que o único resultado relevante dele tenha sido o Top 4 no Mythic Invitational. Essa questão gera o debate do que a empresa deseja para manter o MTG como uma competição coesa, principalmente pelos caminhos necessários para chegar a determinado patamar. Infelizmente, grande parte das indagações sobre o caso não foram feitas com coerência para quem tem poder de organizar isso, mas se tornaram em agressões verbais ao jogador finlandês, mesmo que ele seja mais influente para trazer público novo ao card game do que alguns membros da MPL que fazem stream atualmente.

Enquanto a Wizards of the Coast não conseguir criar uma transparência realmente efetiva com o funcionamento do circuito profissional e como chegar a ele, as críticas não vão desaparecer. Esse problema é um agravante porque a empresa vive uma crise de identidade com dois produtos semelhantes, mas consumidos de maneiras opostas. MTG Arena é muito diferente do card game físico em vários pontos, mas ela é detentora de ambos, algo que gera incerteza de investimento para o público, ainda mais quando a versão digital possui eventos com produção impecável e a outra demonstra fraqueza. A qualidade de transmissão do Mythic Championship III é muito superior a do evento antecessor, que não utilizou o Arena, por exemplo.

Apesar de ainda estar pisando em ovos na forma que organiza seu circuito profissional com a inclusão do MTG Arena, a Wizards of the Coast prova novamente que o investimento na mais recente plataforma digital para o card game é um acerto enorme. Mesmo que Magic the Gathering seja um dos jogos de estratégias mais populares ao redor do mundo, o Arena se tornou essencial para atingir quem não o conhecia, inovar a marca, criar a perspectiva de e-sports para a empresa e até mesmo recuperar quem havia se afastado do jogo – inclusive quem escreve esse texto.

A vitória de Matias Leveratto no Mythic Championship III é uma demonstração clara disso. Ele retornou ao cenário do card game através da plataforma digital e colocou seu nome na história do jogo através do MTG Arena, algo que provavelmente não poderia com a estrutura que existe para a versão física. A América do Sul não recebe muitos eventos presenciais de Magic the Gathering anualmente, mas continua sendo uma região que sempre revela jogadores excelentes, como Luis Salvatto, melhor jogador da temporada 2017-2018, e ícones como Carlos Romão, brasileiro que influenciou um número enorme de pessoas no início dos anos 2000 e até hoje serve de espelho para quem deseja adentrar ao competitivo. Entretanto, não é de se imaginar que melhorias sejam feitas para o cenário do continente, principalmente quando as competições virtuais se mostraram muito eficientes.

Matias Leveratto num dia iluminado                                                                             Créditos: Magic Esports

 

A Wizards of the Coast precisa rapidamente reorganizar seus planos futuros para o cenário competitivo de 2020, mas, ao mesmo tempo, ela sabe que Invitational e Mythic Championship III foram sucessos absolutos, mesmo quando a controvérsia os envolvendo poderia ser um problema gigantesco. 2019 foi um ano eficiente para colocar o card game num novo patamar, agora resta entender como consolidar as competições do MTG Arena e compreender como a versão física vai se manter quando o digital parece um caminho sem volta.

COMENTÁRIOS

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.