Overwatch League retorna com surpresas e metagame consolidado

Variações da formação GOATS dominam as partidas

A Overwatch League retornou na última semana e colocou de volta o FPS da Blizzard em destaque na Twitch. Ultrapassando os 200 mil de telespectadores com facilidade, a liga iniciou sua segunda temporada com muitas partidas disputadas, equipe campeã sendo derrotada duas vezes, personagens inusitados em jogo e principalmente muitas variações da formação GOATS, que é baseada em dois trios de suportes e tanques.

A volta do principal evento de Overwatch é fundamental para manter o jogo como marca popular na Twitch, principalmente com o sucesso gigantesco que Apex Legends tem feito em tão pouco tempo. Muitos jogadores casuais do FPS têm reclamado que o game demora muito tempo para ter melhorias e que as mudanças para balancear o metagame não são efetivas como poderiam, o que acaba os afastando dele cada vez mais. Este abandono de público ainda não chegou a um ponto tão alarmante para a desenvolvedora, mas gera um sinal de alerta – que pode ser um dos principais motivos para ele ter diminuído de preço para R$ 69 em Janeiro.

Enquanto o FPS não está sendo tão bem visto pelo público-geral, tanto na ladder quanto casualmente, a Overwatch League é um espetáculo à parte. Além da entrada de oito organizações novas na competição, mais patrocinadores se interessam pelo produto por causa dos grandes índices de audiência durante o longo período da competição. A Coca-Cola é uma das marcas gigantescas que estão se promovendo por meio do torneio.

GOATS domina o metagame

A primeira semana da segunda temporada da Overwatch League deixou mais do que claro qual é o metagame do Stage 1: GOATS e suas variações. A formação baseada em dois trios de suportes e tanques, criada pela equipe homônima, tem sido a tática mais consistente estabelecida pelos times. Zarya, Rein e Dva são os pesos pesados da estratégia, enquanto Brigitte, Lucio e Zenyatta os curandeiros que completam o sexteto. Entretanto, é possível modificar a estrutura da equipe para situações ou mapas específicos, assim incorporando Winston, Hammond, Ana ou Moira.

Com o predomínio da formação, que os casters têm chamado Triple-Triple, muitas partidas são baseadas em longas disputas entre as duas equipes até que um dos lados consiga eliminar com mais facilidade peças fundamentais do adversário. Este tipo de estratégia faz com que os jogadores sempre estejam muito próximos, assim podem proteger, atacar e usar as habilidades supremas com mais eficiência. Não há uma separação de personagens para flanqueamento ou ataque de longa-distância, apenas uma estrutura de combate que precisa agir em perfeita união, principalmente em relação aos cooldowns que cada jogador deve administrar com clareza.

Todas as habilidades supremas da equipe são importantes, principalmente quando a disputa é contra a mesma formação. É preciso saber qual o momento ideal de usar aquilo que vai manter a equipe segura e como tirar o máximo proveito destes recursos ofensivamente, como Earthshatter, Graviton Surge e Dva Bomb são capazes. Entretanto, este tipo de tática pode encontrar dificuldades contra um dos poucos personagens de Dano que têm sido escolhidos: Sombra. Por causa das negativações que a hacker causa nos adversários, eles podem ficar muito expostos para serem eliminados – algo que torna-se ainda mais fácil com o AMP, já que o sexteto do GOATS sempre está com todos os membros muito próximos.

Performance de Danteh, do Houston Outlaws, com a Sombra

Existe vida além do GOATS?

Sim, GOATS é a formação mais bem executada pelas equipes pelo grande poder que o time pode colocar em jogo, se estiverem bem treinados, mas a primeira semana também demonstrou situações que fogem do Triple-Triple. Entretanto, as equipes também utilizaram outros personagens em momentos específicos. Por exemplo, London Spitfire fez um ataque com 4 DPSs (Widowmaker, Pharah, Tracer e Sombra), Hammond e Mercy para tentar ser agressivo o suficiente e surpreender o Philadelphia Fusion em Volskaya. Dafran deixou sua genialidade falar mais alto e abusar de heróis pouco comuns no competitivo, como Torbjorn. Surefour fez Symmetra causar dano pela primeira vez na OWL e ainda conseguiu fazer a habilidade suprema da personagem ser decisiva para garantir o primeiro ponto de King’s Row.

Entretanto, o telespectador tem que esperar por partidas baseadas nos duelos de times usando Triple-Triple por pelos menos todo o Stage 1 – que termina em 17 de Março. Enquanto isso não muda, táticas que fogem dessa tática serão exclusividade de situações fora do padrão, como a disposição geográfica de um mapa ou a necessidade de ter um personagem mais veloz para contestar o ponto, como é feito tantas vezes com a Tracer.

Análise de times, atletas e personagens na primeira semana

  • London Spitfire, campeão da primeira temporada, decepciona com duas derrotadas na semana de inauguração. Parte disso é pelo nível dos oponentes – Philadelphia Fusion e Paris Eternal, mas fica clara a dificuldade da equipe acertar a formação GOATS com tanta eficiência. Alguns ataques se tornam mais eficientes pela genialidade de alguns membros do time, como o Birdring, do que um trabalho em equipe excelente;
  • Philadelphia Fusion é um dos favoritos para este Stage 1. A equipe manteve a força que demonstrou na primeira temporada e já entregou ótimas partidas, o garantiu duas vitórias muito merecidas. Carpe tem conduzido a equipe com seu talento notório, seja controlando a Zarya com tranquilidade ou abusando de outros heróis em momentos complicados, como o Reaper no segundo ponto de Volskaya;
  • Assim como na temporada anterior, New York Excelsior é um dos elencos mais completos para toda a temporada. Além de manter seus melhores jogadores na equipe, a organização já demonstra excelência com o estreante Nenne, que conduziu a Zarya de forma excelente, o que auxiliou as duas vitórias do time. Além disso, Meko apresentou qualidade necessária para trocar de Dva para Sombra sempre que o AMP for um recurso capaz de quebrar o sistema defensivo do oponente por completo.
  • Boston Uprising teve sucesso em parte da primeira temporada e já demonstra potencial para figurar entre os melhores do Stage 1. Apesar de participar em uma das vitórias de mapa, a estreia do brasileiro Alemão não o assegurou entre os titulares, que foi substituído por Kellex nas partidas seguintes. Apesar disso, o time dificultou sua derrota e já demonstrou seu poderio, ainda mais com as excelentes jogadas de Fusions – o Reinhardt mais impressionante da semana de abertura;
  • Los Angeles Gladiators estreou não conseguindo manter a qualidade de jogo do primeiro mapa e caiu de rendimento versus o Seoul Dynasty, mas se recuperou no segundo confronto versus o San Francisco Shock ao melhorar jogadas em equipe que permitiam o Roar abusar de Reinhardt e Winston;
  • Seoul Dynasty dá sinais de inconsistência como no ano anterior, seja com formações inusitadas ou por não conseguir fazer o talento individual ser efetivo pela equipe. Conseguem ter jogos que a estratégia é quase impecável, mas em outros parecem uma equipe muito diferente, algo que rendeu a derrota numa partida que deveria ser mais equilibrada contra o Fuel. Entretanto, Fissure já parece estar entrosado com os companheiros, mostrando que a contratação dele foi um grande acerto da organização;
  • Shanghai Dragons mantém a crescente do número de derrotas seguidas numa liga esportiva profissional, chegando à 42. A equipe dá pequenos sinais de melhora com os novos jogadores, como o Youngjin mostrou com o Reaper e a chegada do tanque Gamsu. Entretanto, ainda há erros comuns sendo cometidos em momentos decisivos, colocando a organização chinesa de novo no fundo da tabela;
  • Hangzhou Spark, uma das estreantes chinesas na liga, já chama atenção pelas ótimas partidas que realizou e por alguns talentos individuais que podem desequilibrar confrontos. O principal deles é Ria, que já conseguiu vitimar vários adversários com seus Dva Bomb;
  • Mesmo com um bom time, Houston Outlaws tem fraquejado no meio dos confrontos até mesmo quando deveria ter uma leve superioridade. As duas derrotas não refletem a qualidade da equipe, principalmente dos ótimos Danteh, Boink e Muma, mas que deixa a organização numa situação difícil para o futuro do Stage 1;
  • Os seis estreantes Paris Eternal, Vancouver Titans, Chengdu Hunters, Washington Justice, Guangzhou Charge e Toronto Defiant fizeram apenas uma partida até agora, mas já dão indícios do futuro delas no Stage 1. A equipe francesa é a mais forte em elenco e isso refletiu na vitória sobre o London Spitfire, ainda mais pela qualidade ofensiva demonstrada. Os dois elencos chineses são equilibrados, algo que ficou claro no confronto entre eles com destaque para os tanques de Lateyoung e a Tracer de Hotba. Washington Justice iniciou muito mal a temporada em recursão de jogo, algo que pode complicar muito a trajetória deles se for mantido esse nível;
  • Atlanta Reign é uma das maiores surpresas nesse início de OWL. O time conseguiu uma ótima vitória em sua estreia, contra o fraco Florida Mayhem, e depois vendeu muito caro a partida contra o favorito Philadelphia Fusion, o melhor confronto até agora da liga. O trabalho em equipe tem se mostrado bastante eficiente, ainda mais quando Dafran consegue ter liberdade para usar sua genialidade com personagens atípicos, além de conduzir a Zarya da equipe com excelência;
  • Apesar de ter uma abertura bastante ruim na competição, o Dallas Fuel conseguiu se recuperar no confronto versus o Seoul Dynasty. Boa parte do lado positivo disso é por causa de AKM, que foi extremamente efetivo de Sombra enquanto esteve no controle da personagem;
  • Lúcio, Reinhardt, Brigitte e Zarya são os personagens para ficar de olho o máximo possível durante as próximas semanas, principalmente se quiser ter melhor domínio deles e tiver o All-Access Pass da competição, assim usando as câmeras exclusivas para acompanhar os atletas. Enquanto isso, Moira parece o pior suporte para usar no GOATS e Mercy efetiva apenas com Pharah. Enquanto Reaper domina os elos baixos do casual, na OWL ele aparece com muita raridade.

Performance de Carpe, do Philadelphia Fusion, com a Zarya

A Overwatch League retorna nessa quinta-feira (21/02) com os confrontos de Washington Justice vs London Spitfire, Philadelphia Fusion vs Florida Mayhem, Guangzhou Charge vs Dallas Fuel e Seoul Dynasty vs Chendhu Hunters.

Durante pesquisa e produção de textos, é encontrado com a alcunha de Lazyguga em partidas de Overwatch, Clash Royale e MTG Arena ou conquistando ginásios no Pokémon GO.